terça-feira, 20 de novembro de 2007

Auto entitulado biográfico

O que tenho a fazer?


Não quero ir além das possibilidades sobre-humanas
que a mente tende a devanear sobre
toda a compreensão em função de todo esmero,
sobre todos os conjuntos de intenção-entendimento,
sobre todas as formas de se saber
o que acontece, aconteceu e acontecerá.
Mas impossível é ficar absorta.

O tempo se passava em infinitos momentos no
"Aguarde. Em pronto iremos atendê-la. Próximo por favor".
Talvez.
Ou seria
"Amanhã a gente se fala, querida"?
Fato é que palavras incompreendidas
até aqueles momentos eram
aguardadas, almejadas, aliteradas
silenciosamente em excelente sintonia
ao incerto de nosso encontro.
O destino fez com que viesse até mim sua presença incógnita.
Sem saber, desejava.
Sem poder, requeria.
Sem decidir, escolhi.
A verdade se desfrutava
em um jogo de insinuações e mudanças de olhar,
de humor, de meia-verdade, de sentimentos.
E não que ela fosse absoluta;
as certezas passadas foram momentos de ilusionismo,
porém, iludindo e interferindo
em imagens de impedimento
na investida dum relacionamento mútuo.

Ainda é possível?
Ainda é possível converter tamanha distração em sabedoria
e falsas verdades em passado?
Ainda é possível subjulgar a essência sua
de saber mais de mim do que eu própria?

Qualquer que seja a resposta,
realmente já é sabido o que será enunciado.
Talvez seja tarde.
Talvez seja o tempo a única real decisão.
Mas é muito cedo para viver o eternamente
em fuga,
em permanência,
em loucura,
em sanidade,
em erros,
em acertos.
Ser ou não ser não se condiz em ser a própria questão.
Consigo ser além. Mas e minhas decisões?
Quem assumirá?
Serão recorrentes indagações
daqui um futuro assumido por seu caráter?
Ou estarei em boas escolhas de sua parte?
Não há como restringir seus métodos.
Seja minha consciência,
esteja em alerta afim,
fique a par de meu mundo
tão misterioso para mim
quanto as minhas dúvidas de como aceitou
por tanto tempo ser o que é
mesmo sem saber se seria alguém
com tamanha responsabilidade.

Não é de nenhuma notoriedade
de que o percurso será liderado por seus passos,
uma vez que em minha capacidade
fui capaz de deflagrar adversidades tristes visíveis em seus olhos.
Por isso não há como ficar absorta
em abstrair-me pelos devaneios essencialmente conhecidos.
Anseios, loucuras, desejos, paixões,
erros graves, conseqüências lastimáveis.
Tudo. O Todo. Onisciência. Sabedoria
em dominar minhas ações e meu corpo e minha mente e minha alma.
É o porto-seguro, é o refúgio,
é onde posso me esconder de mim.
É inexplicável a força atrativa
que me faz sempre voltar
para seus braços abertos
depois de ações impensadas
ou mesmo muito pensadas,
sem a preocupação com o depois,
pois no fundo eu sei que somos loucos.
Você, em me sempre aceitar a volta;
eu, pela certeza de que será perfeito.
Mas não existe perfeição.
Você não é meu. Eu não sou sua.
O resultado depende de cada ritmo da batida dos segundos.
Às vezes mais rápido. Às vezes uma infinitude
entre cada balanço descompassado
das marcações da dança do tempo.
Tudo depende da companhia.

Toque minha música para acompanhar
o frenético passeio sem lugar comum,
sem clichê, sem lugar para chegar.
Só assim chegar-se-á a lugar algum,
podendo avaliar-se o que foi escrito,
considerando continuidade e concordância
ou consumo e cancelamento
da história recorrente.

Então, perca o controle, liberte-se.
Seja imprevisível.
Preciso do desconhecido, necessito das fantasias.
Eu engano. Engane! Enganemo-nos!,
mesmo que na ilusão de dissimular
o que não pode ser escondido.
Assim, parecerá novidade.
Será ilusoriamente uma novidade.
Assim sou eu.
É assim a que minha vida foi acostumada.
É dessa maneira que passo a viver cada passo dado.
Assim sou eu,
levando a vida em uma melodia sem notas precisas,
antagônicas falando de algo para dizer o que não será dito.

Acredito no fingimento de ser indecifrável.
Acredito ainda mais que sou mais do que a Esfinge,
podendo devorá-lo, destruí-lo, destituí-lo
do posto de que ainda não assumiu.
Acredito nisto pois o que conheço a meu respeito
é insuportável fardo de uma vida cheia de lacunas.
Acredito naquilo para me dar segurança
de poder sempre voltar para sua companhia,
sem que me frustre em não mais ser inocente,
sendo uma não frustração de caráter totalmente ambíguo,
provavelmente pelo prazer de suas palavras em meus ouvidos
e pela clausura que elas provocam,
já que descrevem o que não quero ser.
Há desigualdade, há imperfeição.
Existem tantos paradoxos em mim.
Prevejo o imprevisto, recalculo o improvável.
Furto palavras negadas
e finjo não acreditar que acredito em seu olhar,
que ousa em me enxergar através.
Olhar que lê alguns trechos
de meu livro semiaberto,
em cujas rasuradas páginas
poderá escrever suas tortas linhas.

Assim, recebo, percebo, intercedo e releio.
Entendo e me entrego.
Não será por e para mal.
Jamais será por e para qualquer mazela
que tente a destruir as fortalezas
construídas por tão tortuosos caminhos
pelo mundo da experimentação.
Sei que existem os mais diversos limites,
e alguns são tão tênues
que mal se percebem
quão são limítrofes
como tanto expansíveis ou redutíveis o haviam de ser.
Qualquer que seja o passado,
mesmo que no futuro,
ao pretérito pertence.

Façamos um acordo:
entregue-se por completo
para devolver-me o que sabe de mim
e darei a parte que não conhece
chamada convívio.

Minta se for preciso.
Se você for passado,
passará a ser o futuro,
pois no fundo,
serei eu quem escolherei se isso será
mais outra falsa verdade de minha vida.
Pois é assim que quero ser,
Imperfeita e única em estupidez.

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